Autor: Johann Wolfgang von Goethe
Os sofrimentos do jovem Werther
A pedra da luz (Volume 1)
Autor: Christian Jacq
Silencioso terminou de moldar uma centena de tijolos que colocaria sobre a camada de pedram, formando o soco de uma casa destinada a família de um militar. Para um filho de escultor do Lugar da Verdade, isso era infância da arte. Durante a adolescência, Silencioso divertia-se fazendo tijolos de todas as dimensões, e até terminara por fabricar os moldes.
- Sua técnica é excepcional - avaliou o patrão.
- Tenho jeito e faço com calma.
- Você sabe muito mais do que mostra, não é?
- Não acredite nisso.
- Não importa... Pensou na minha proposta?
- Preciso de mais tempo.
- Está bem, meu jovem. Espero que outro empreiteiro não tente conquistá-lo...
- Fique sossegado.
- Confio em você.
Silencioso havia percebido a estratégia do patrão: ele o mandara encontrar-se com a filha para que fosse seduzido, pedisse-a em casamento, aceitasse o posto de contramestre e fundasse um lar. Desse modo, seria obrigado a assumir a empresa da família.
O patrão era um homem bom, e achava estar agindo no interesse da filha. Silencioso não estava ressentido. A manobra poderia ter sido um fiasco, porém ao rapaz ficaria loucamente apaixonado por Clara. Mesmo que o destino traçado pelo futuro sogro fosse semelhante a uma prisão aonde não queria entrar, não podia imaginar a vida sem a jovem.
Graças a ela, ao seu rosto e à sua luz, ele não se atirou no Nilo para pôr fim à vida errante. Mas não havia provas de que a jovem partilhava dos seus sentimentos e não ia obrigá-la a casar-se com ele só para satisfazer o pai dela.
Como confessar a uma mulher um amor que de tão intenso poderia assustá-la? Silencioso imaginava mil e uma maneiras para abordá-la, mas cada uma dela parecia-lhe mais ridícula do que a outra. Precisava render-se à evidência: Seria melhor enterrar a paixão no mais fundo do seu ser e partir para o Norte, como previra, sonhando com a felicidade impossível.
No cubículo onde o patrão o alojara, Silencioso não conseguia pegar no sono. Achava que havia tomado a decisão certa, mas não conseguia encontrar a paz. O povoado, as estradas sem fim, os olhos azuis de Clara, o rio... Tudo se misturava em sua cabeça, como se estivesse embriagado.
Viver para ela, tornar-se seu servo, permanecer sempre ao seu lado sem nada pedir... Talvez fosse a solução. Porém, a jovem, cansada, acabaria casando-se. A dor da separação seria ainda mais dilacerante.
Silencioso não tinha escolha.
No dia seguinte, pela manhã, terminaria o trabalho começado, iria ai mercado comprar provisões e deixaria Tebas para sempre.